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Home - Meio Ambiente - Inventário de emissões (GEE): como organizar as evidências documentais

Inventário de emissões (GEE): como organizar as evidências documentais

Equipe Dynadok por Equipe Dynadok
04/11/2026
em Meio Ambiente
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Capa do blog Dynadok com ícones de validação de documentos: Inventário de emissões (GEE): como organizar as evidências documentais

Organizar as evidências documentais de um inventário de emissões de GEE significa ligar cada número do relato a um documento rastreável: nota fiscal de combustível, conta de energia, medição, planilha de cálculo e fator de emissão. A Lei 15.042/2024, a ISO 14064-3 e o GHG Protocol exigem que um terceiro consiga refazer o cálculo, e isso só acontece com um dossiê indexado por fonte, escopo e período.

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Pontos-chave

  • O Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo FGVces, publicou 985 inventários no Registro Público de Emissões no ciclo 2024, e 60% deles receberam selo ouro, que exige verificação por organismo acreditado pelo Inmetro.
  • No ciclo mais recente, 757 organizações enviaram inventários de emissões de 2025 ao programa, recorde 12% acima das 670 do ciclo anterior, segundo o Diário do Comércio.
  • A Lei 15.042, de 11 de dezembro de 2024, obriga operadores com emissões acima de 10.000 tCO2e por ano a submeter plano de monitoramento e relato de emissões e remoções.
  • A multa do SBCE para pessoa jurídica pode chegar a 3% do faturamento bruto, e a 4% na reincidência, conforme o art. 37 da Lei 15.042/2024.
  • A ISO 14064-3:2019 define os requisitos de verificação de declarações de GEE, e o verificador só consegue atestar o que está documentado.
  • O GHG Protocol baseia o princípio da transparência em documentação clara e arquivos que formam uma trilha de auditoria.
  • A Resolução CVM 244, de 29 de maio de 2026, tornou voluntário o relatório de sustentabilidade ISSB, mas quem divulga precisa de asseguração por auditor independente registrado na CVM.

O que são as evidências documentais de um inventário de GEE?

As evidências documentais de um inventário de GEE são os registros que comprovam cada dado de atividade, cada fator de emissão e cada decisão metodológica usada para calcular as emissões da organização. Sem essas evidências, o inventário é uma planilha com números; com elas, é uma declaração que pode ser verificada por terceira parte.

O que é um inventário de emissões de gases de efeito estufa?

O inventário de emissões de GEE é o levantamento anual, por escopo, das toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) que uma organização emite e remove. A ISO 14064-1:2018, publicada pela ISO em dezembro de 2018 e confirmada em 2024, especifica os princípios e requisitos para quantificar e relatar emissões e remoções no nível da organização, incluindo o desenho, a gestão, o relato e a verificação do inventário.

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No Brasil, a metodologia mais usada é a do Programa Brasileiro GHG Protocol, mantido pelo FGVces desde 2008. O GHG Protocol divide as emissões em três escopos: Escopo 1 (emissões diretas de fontes da empresa), Escopo 2 (energia elétrica e térmica comprada) e Escopo 3 (demais emissões indiretas da cadeia de valor). Segundo o GHG Protocol, 92% das empresas da Fortune 500 que responderam ao CDP em 2016 usaram o padrão, direta ou indiretamente.

O que conta como evidência no inventário?

Evidência é qualquer documento que permita a um verificador refazer o caminho entre a operação real e o número relatado. O Corporate Standard do GHG Protocol informa que as emissões de Escopo 1 costumam ser calculadas a partir das quantidades compradas de combustíveis comerciais, e as de Escopo 2 a partir do consumo medido de eletricidade. Por isso, notas fiscais de combustível, contas de energia e leituras de medidores formam a espinha dorsal do dossiê.

Além dos dados de atividade, entram como evidência a memória de cálculo, a fonte e a versão de cada fator de emissão, a definição dos limites organizacionais (quais unidades e participações societárias estão dentro), os contratos que comprovam controle operacional e os registros de premissas e estimativas. O mesmo raciocínio de rastreabilidade se aplica à cadeia de custódia de documentos: saber quem gerou, quem alterou e onde está guardado cada arquivo.

Por que organizar as evidências do inventário virou prioridade?

Organizar as evidências do inventário virou prioridade porque o relato de emissões deixou de ser só reputacional e passou a ter regra legal, verificação de terceira parte e escrutínio de investidores. Três movimentos explicam a mudança: o crescimento do Registro Público de Emissões, a criação do mercado regulado de carbono pela Lei 15.042/2024 e as regras da CVM para relatórios de sustentabilidade.

O Registro Público de Emissões (RPE) é a plataforma do Programa Brasileiro GHG Protocol onde as organizações publicam seus inventários. Segundo o FGVces, o RPE reúne mais de 7.000 inventários de GEE publicamente disponíveis, e o programa já treinou mais de 1.800 gestores. No ciclo 2024, o relatório anual do programa contabilizou 985 inventários publicados por 539 organizações membro, alta de 24% nos membros em relação ao ciclo 2023.

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A verificação é o ponto em que a organização documental é testada. No ciclo 2024, 60% dos inventários publicados no RPE receberam selo ouro, categoria reservada a inventários completos e verificados por organismo de terceira parte acreditado pelo Inmetro. Outros 37% ficaram com selo prata (completos, sem verificação) e 3% com selo bronze (parciais), segundo o relatório anual do PBGHG.

O volume de emissões relatadas mostra o peso econômico do tema. Segundo o Diário do Comércio, as 757 organizações que enviaram inventários de 2025 ao programa relataram 213 milhões de tCO2e no Escopo 1, 8,1 milhões no Escopo 2 e 1,18 bilhão no Escopo 3.

IndicadorValorPeríodoFonte
Inventários publicados no RPE985Ciclo 2024FGVces, Relatório anual PBGHG
Organizações membro (matrizes)539Ciclo 2024FGVces, Relatório anual PBGHG
Inventários com selo ouro (verificados)60%Ciclo 2024FGVces, Relatório anual PBGHG
Organizações que enviaram inventário757Emissões de 2025Diário do Comércio
Emissões de Escopo 1 relatadas213 milhões de tCO2eEmissões de 2025Diário do Comércio
Emissões de Escopo 3 relatadas1,18 bilhão de tCO2eEmissões de 2025Diário do Comércio
Inventários disponíveis no RPEmais de 7.000Acumulado até 2026FGVces, GHG Info 2026

Fonte: FGVces (Relatório anual PBGHG Ciclo 2024 e GHG Info 2026) e Diário do Comércio.

O crescimento chega a setores com pouca tradição de relato. Segundo o Diário do Comércio, 62 organizações de agricultura, pecuária, floresta e pesca enviaram inventários, alta de 38%, mas esses inventários cobrem só 0,8% das emissões diretas do setor agrícola. Segundo Guilherme Lefevre, gestor do Programa Brasileiro GHG Protocol, “vem crescendo muito a quantidade de empreendimentos rurais e fazendas comprometidos com a elaboração de inventário”.

O que a Lei 15.042, a ISO 14064 e o GHG Protocol exigem de documentação?

A Lei 15.042/2024, a ISO 14064 e o GHG Protocol exigem, cada um a seu modo, que o inventário seja reproduzível por terceiros. A lei cria obrigações de monitoramento e relato para grandes emissores, a ISO define como quantificar e verificar, e o GHG Protocol estabelece os princípios de contabilidade que orientam o dossiê.

O que a Lei 15.042/2024 exige dos operadores?

A Lei 15.042, de 11 de dezembro de 2024, institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). O art. 30 define dois patamares: operadores de instalações ou fontes que emitam acima de 10.000 tCO2e por ano devem submeter plano de monitoramento e enviar relato de emissões e remoções; acima de 25.000 tCO2e por ano, também devem enviar relato de conciliação periódica de obrigações (art. 29, incisos I a IV).

A lei define o plano de monitoramento, no art. 2º, inciso XXIII, como “documento elaborado pelo operador com detalhamento da forma de implementação de sua sistemática de mensuração”. Na prática, o plano de monitoramento é o mapa que diz quais documentos serão gerados, por quem e com que frequência. O art. 32 prevê o relato anual de emissões conforme o plano de monitoramento aprovado, o que torna o dossiê documental uma obrigação contínua, e não um esforço de fim de ano.

A regulamentação avança em etapas. O Decreto 12.677/2025 criou a Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono (SEMC) no Ministério da Fazenda, que exerce o papel de órgão gestor do SBCE, e o Decreto 12.768/2025 regulamenta a lei. Segundo o Ministério da Fazenda, os setores regulados serão definidos em regulamentação pela SEMC em 2026.

O que a ISO 14064 e o GHG Protocol pedem?

A ISO 14064-3:2019, publicada em 15 de abril de 2019 e confirmada em 2024, especifica princípios e requisitos para a verificação e a validação de declarações de GEE de organizações, projetos e produtos. É a norma que orienta o trabalho do organismo de verificação: ele amostra dados, confere documentos e compara o declarado com o comprovado.

O GHG Protocol define cinco princípios: relevância, completude, consistência, transparência e exatidão. Segundo o Corporate Standard, a transparência depende de “clear documentation and archives (i.e., an audit trail)”, isto é, documentação clara e arquivos que formam uma trilha de auditoria. O padrão também atribui ao verificador a responsabilidade de confirmar se a empresa seguiu a própria política de limiar de significância.

RequisitoBase normativaO que exige na práticaResponsável
Plano de monitoramentoLei 15.042/2024, art. 29, I, e art. 2º, XXIIIDocumento que descreve a sistemática de mensuraçãoOperador acima de 10.000 tCO2e/ano
Relato de emissões e remoçõesLei 15.042/2024, art. 29, II, e art. 32Relato anual conforme o plano aprovadoOperador acima de 10.000 tCO2e/ano
Relato de conciliação periódicaLei 15.042/2024, art. 29, IIIConciliação de obrigações com ativosOperador acima de 25.000 tCO2e/ano
Quantificação no nível da organizaçãoISO 14064-1:2018Inventário por categoria, com gestão de dadosOrganização inventariante
Verificação de terceira parteISO 14064-3:2019 e selo ouro do PBGHGDeclaração de verificação anexada ao RPEOrganismo acreditado pelo Inmetro
Asseguração do relatório ISSBResolução CVM 193/2023, alterada pela CVM 244/2026Asseguração por auditor registrado na CVMCompanhia aberta que divulgar

Fonte: elaboração própria com base na Lei 15.042/2024, ISO 14064-1:2018, ISO 14064-3:2019, FGVces (GHG Info 2026) e Resolução CVM 193/2023.

O que mudou nas regras da CVM?

A Resolução CVM 193, de 20 de outubro de 2023, tornou o Brasil adotante das normas ISSB (IFRS S1 e S2): adoção voluntária a partir de 2024 e obrigatória para companhias abertas a partir dos exercícios iniciados em 1º de janeiro de 2026, com asseguração limitada até 2025 e razoável a partir de 2026. A Resolução CVM 244, de 29 de maio de 2026, tornou a divulgação voluntária. Segundo análise de Rodolfo Constantino de Tella, sócio do Tauil & Chequer associado ao Mayer Brown, quem divulgar deve manter o relatório por três exercícios consecutivos e submetê-lo à asseguração de auditor independente registrado na CVM. A partir de 1º de janeiro de 2027, a companhia que não divulgar deve comunicar a decisão e os motivos ao mercado.

Como as empresas organizam essas evidências hoje e onde falham?

A maioria das organizações monta o inventário de GEE em planilhas alimentadas por e-mails de várias áreas: compras manda as notas de combustível, facilities manda as contas de energia, logística manda os relatórios de frota e o RH manda dados de viagens. O analista de sustentabilidade consolida tudo perto do prazo, e a evidência fica espalhada em caixas de entrada e pastas compartilhadas.

O calendário aperta esse processo. No ciclo 2026 do Programa Brasileiro GHG Protocol, as organizações preencheram o RPE entre 2 de março e 9 de junho de 2026, e os organismos de verificação tiveram até 16 de junho de 2026 para concluir a verificação na plataforma, segundo o FGVces. Inventários verificados não passam pelo desk review da equipe técnica, o que transfere todo o peso da conferência para a qualidade do dossiê entregue ao verificador.

Os gargalos mais comuns aparecem sempre nos mesmos pontos:

  • Documentos sem vínculo com o dado: a planilha mostra o total anual de diesel, mas não indica quais notas fiscais somam esse total, e o verificador precisa reconstruir a soma.
  • Unidades e períodos incompatíveis: contas de energia com ciclo de leitura que atravessa o ano-base entram inteiras no inventário, sem rateio documentado.
  • Fatores de emissão sem versão: a memória de cálculo cita o fator, mas não registra a fonte, o ano e a versão da ferramenta usada, o que quebra a consistência entre anos.
  • Escopo 3 sem documento de origem: viagens, resíduos e transporte terceirizado entram por estimativa, sem registro da premissa, e o GHG Protocol reconhece que a verificação do Escopo 3 costuma ser difícil.
  • Arquivos digitalizados ilegíveis: contas fotografadas, PDFs escaneados com baixa resolução e documentos de fornecedores em layouts diferentes atrasam a conferência.
  • Ausência de controle de versão: a planilha final tem várias cópias, e ninguém sabe qual versão foi enviada ao RPE e qual foi entregue ao verificador.

Esses gargalos repetem os problemas de qualquer gestão documental sem regra de guarda. Uma tabela de temporalidade de documentos resolve parte da questão ao definir por quanto tempo cada evidência fica arquivada, o que importa porque o ano-base precisa continuar comprovável quando houver recálculo.

Como organizar as evidências documentais do inventário passo a passo?

Organizar as evidências documentais do inventário de GEE exige tratar cada número do relato como uma conclusão que precisa de prova. O roteiro abaixo segue a lógica de verificação da ISO 14064-3 e o princípio da transparência do GHG Protocol.

  1. Defina os limites e o inventário de fontes. Liste unidades, participações societárias e fontes emissoras por escopo, e guarde os contratos e documentos societários que justificam a abordagem de controle operacional ou de participação acionária.
  2. Escreva o plano de monitoramento. Para cada fonte, registre o dado de atividade, o documento de origem, a área responsável, a frequência de coleta e o método de cálculo. Para operadores acima de 10.000 tCO2e por ano, o plano de monitoramento é obrigação do art. 29 da Lei 15.042/2024.
  3. Crie uma estrutura de pastas espelhando o inventário. Organize por ano-base, escopo, categoria, unidade e mês, com regra de nomenclatura única (por exemplo, unidade, fonte, mês e tipo de documento).
  4. Vincule cada linha da planilha ao documento. Inclua na memória de cálculo uma coluna com o identificador do documento de origem, como número da nota fiscal, código da instalação na conta de energia ou número do manifesto de resíduos. Esse vínculo é a trilha de auditoria que o GHG Protocol descreve.
  5. Valide os documentos na entrada. Confira legibilidade, período, unidade de medida, CNPJ do emissor e consistência entre documentos antes de lançar o dado. Corrigir uma conta de energia em março é barato; descobrir o erro durante a verificação, em junho, compromete o prazo do RPE.
  6. Registre fatores, premissas e estimativas. Documente a fonte, o ano e a versão de cada fator de emissão, e descreva toda estimativa com a justificativa e o dado usado. Premissa sem registro é a primeira pergunta do verificador.
  7. Congele a versão e controle as mudanças. Ao fechar o inventário, salve uma versão imutável da planilha e das evidências, com data e responsável, e registre recálculos do ano-base com o motivo. O GHG Protocol deixa a cada empresa definir o limiar de significância para recálculo, e o verificador confere se a política foi seguida.

Como escolher entre planilha, repositório e validação com IA para as evidências?

A escolha da ferramenta para organizar as evidências do inventário de GEE depende do volume de documentos, do número de unidades e da exigência de verificação. Uma empresa com uma sede e poucas fontes de Escopo 1 resolve com planilha e pasta bem nomeada; um grupo com dezenas de unidades, frota própria e meta de selo ouro precisa de validação automatizada na entrada.

CritérioPlanilha e pastasRepositório com fluxoValidação documental com IA
Vínculo entre dado e documentoManual, por coluna de referênciaPor metadados do arquivoExtração automática do dado do próprio documento
Conferência de legibilidade e períodoVisual, pelo analistaVisual, com checklistAutomática, com alerta de divergência
Controle de versãoFrágil, várias cópiasHistórico de versõesHistórico e registro de cada validação
Escala recomendadaPoucas unidades e fontesVolume médioMuitas unidades, terceiros e verificação anual
Preparação para verificaçãoReconstrução no fim do cicloDossiê parcialDossiê indexado ao longo do ano

Fonte: elaboração própria com base nos princípios do GHG Protocol e nos requisitos da ISO 14064-3:2019.

Quais erros mais comprometem a verificação do inventário?

Os erros que mais comprometem a verificação do inventário de GEE são falhas de documentação, não de cálculo.

  • Somar notas fiscais de combustível sem conferir duplicidade: a mesma nota lançada duas vezes infla o Escopo 1 e vira discrepância apontada na declaração de verificação.
  • Usar conta de energia sem rateio de período: o consumo de dezembro do ano anterior entra no ano-base, e o Escopo 2 deixa de ser consistente com a série histórica.
  • Deixar de documentar exclusões: fonte excluída sem justificativa fere o princípio da completude e pode rebaixar o inventário ao selo bronze, reservado a inventários parciais.
  • Trocar fator de emissão sem registro: a variação nas emissões parece mudança operacional quando é só metodológica, e o verificador exige recálculo.
  • Guardar evidências só em e-mail: quando o responsável sai da empresa, a prova do ano-base desaparece com a caixa de entrada.
  • Aceitar documento de terceiro sem conferência: relatório de transportadora ou de destinador de resíduos sem CNPJ, período ou assinatura não sustenta o Escopo 3.

No SBCE, o custo do erro sobe. O art. 37 da Lei 15.042/2024 prevê advertência, multa, embargo e suspensão de atividade, e a multa para pessoa jurídica não pode ser inferior ao custo das obrigações descumpridas.

Como a Dynadok ajuda a organizar as evidências do inventário de GEE?

A Dynadok é uma plataforma de IA que identifica, extrai e valida documentos em vários formatos e layouts, de imagens a PDFs. No inventário de GEE, a Dynadok lê notas fiscais de combustível, contas de energia, manifestos e relatórios de terceiros, extrai quantidade, unidade, período e emissor, e cruza esses dados com a planilha de cálculo para apontar divergências antes da verificação.

A plataforma permite que fornecedores e unidades enviem os documentos diretamente, com checklists personalizados por tipo de documento, alertas de vencimento e integração por API com os sistemas da empresa. A lógica é a mesma da validação de documentos de conformidade ambiental: conferir cada arquivo na entrada, e não na véspera da auditoria. Segundo a Dynadok, a plataforma reduz até 95% do tempo gasto com validação manual, e o analista de sustentabilidade passa a revisar exceções em vez de conferir documento por documento.

Leia também no blog da Dynadok:

  • Como automatizar a análise de documentos em inventários e partilhas
  • Como automatizar a validação documental associada ao Relatório Diário de Obras (RDO)
  • O mundo publicou 391 estudos sobre verificação de documentos com IA desde 2015. O Brasil, 3
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Perguntas frequentes sobre evidências do inventário de GEE

O inventário de emissões de GEE é obrigatório no Brasil?

Sim, para operadores acima de 10.000 tCO2e por ano, que devem enviar plano de monitoramento e relato de emissões pela Lei 15.042/2024. Para as demais organizações, o inventário segue voluntário, como no Programa Brasileiro GHG Protocol.

Quais documentos comprovam as emissões de Escopo 1?

As emissões de Escopo 1 são comprovadas por notas fiscais de compra de combustíveis, controles de abastecimento de frota, registros de recarga de gases refrigerantes e medições de processos industriais, sempre vinculados à linha correspondente da memória de cálculo do inventário.

Quais documentos comprovam as emissões de Escopo 2?

As emissões de Escopo 2 são comprovadas por contas de energia elétrica com o consumo medido, por unidade consumidora e mês, além de contratos de compra de energia e certificados quando a empresa adota a abordagem de escolha de compra.

Como documentar as emissões de Escopo 3?

O Escopo 3 é documentado com relatórios de viagens, manifestos de resíduos, faturas de transporte terceirizado e dados de fornecedores, sempre com registro da premissa usada. O GHG Protocol reconhece que a verificação do Escopo 3 costuma ser difícil.

O que é trilha de auditoria no inventário de GEE?

Trilha de auditoria é o caminho documentado entre cada número do inventário e o documento que o originou. O GHG Protocol associa o princípio da transparência a documentação clara e arquivos que permitam a terceiros chegar aos mesmos resultados.

A verificação do inventário é obrigatória no GHG Protocol?

Não. Segundo o FGVces, a verificação é opcional para todos os participantes do Programa Brasileiro GHG Protocol, mas só inventários completos e verificados por organismo acreditado pelo Inmetro recebem o selo ouro no Registro Público de Emissões.

Quem pode verificar um inventário de GEE?

No Programa Brasileiro GHG Protocol, a verificação é feita por organismo de verificação acreditado pelo Inmetro, que segue a ISO 14064-3:2019. O organismo anexa a declaração de verificação no Registro Público de Emissões dentro do prazo do ciclo.

Qual é o prazo para publicar o inventário no Registro Público de Emissões?

No ciclo 2026, o FGVces abriu o preenchimento do Registro Público de Emissões em 2 de março e encerrou em 9 de junho de 2026. Os organismos de verificação tiveram até 16 de junho de 2026 para concluir a verificação.

Qual a diferença entre os selos bronze, prata e ouro?

O selo bronze vale para inventários parciais, sem alguma emissão de Escopo 1 ou 2. O prata exige inventário completo de Escopos 1 e 2. O ouro exige inventário completo e verificado por organismo acreditado pelo Inmetro.

O que é o plano de monitoramento da Lei 15.042?

O plano de monitoramento é, segundo o art. 2º da Lei 15.042/2024, o documento elaborado pelo operador que detalha a implementação da sua sistemática de mensuração. O plano define quais evidências serão geradas, por quem e com que frequência.

Qual é a multa por descumprir as obrigações do SBCE?

A multa para pessoa jurídica pode chegar a 3% do faturamento bruto, e a 4% na reincidência, pelo art. 37 da Lei 15.042/2024. Para as demais pessoas, a multa varia de R$ 50.000,00 a R$ 20.000.000,00.

Quem regula o mercado de carbono brasileiro hoje?

A Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, criada pelo Decreto 12.677/2025 no Ministério da Fazenda, exerce o papel de órgão gestor do SBCE. Segundo o ministério, os setores regulados serão definidos pela secretaria em 2026.

O relatório de sustentabilidade da CVM ainda é obrigatório?

Não. A Resolução CVM 244, de 29 de maio de 2026, tornou voluntário o relatório baseado nas normas ISSB. A companhia aberta que divulgar precisa de asseguração por auditor independente registrado na CVM e deve manter o relatório por três exercícios.

Qual a diferença entre ISO 14064-1 e ISO 14064-3?

A ISO 14064-1:2018 orienta a organização a quantificar e relatar emissões e remoções no inventário. A ISO 14064-3:2019 orienta o organismo que verifica ou valida declarações de GEE. A primeira descreve como montar; a segunda, como conferir.

Por quanto tempo guardar as evidências do inventário?

As evidências do inventário devem ficar guardadas enquanto o ano-base puder ser recalculado e comparado. Como o GHG Protocol exige consistência entre anos, perder os documentos do ano-base impede o verificador de confirmar a série histórica de emissões.

Como tratar documentos digitalizados de baixa qualidade?

Documentos digitalizados de baixa qualidade devem ser substituídos pela via original ou pela segunda via do emissor antes do fechamento do inventário. Uma conta de energia ilegível não sustenta o dado de Escopo 2 diante do organismo de verificação.

A IA substitui o organismo de verificação do inventário?

Não. A IA de validação documental confere legibilidade, período, unidade e consistência das evidências na entrada, mas a declaração de verificação continua sendo emitida pelo organismo acreditado pelo Inmetro, conforme a ISO 14064-3:2019.

Como integrar as evidências do inventário ao ERP?

A integração é feita por API: notas fiscais de combustível e contas de energia já registradas no ERP são lidas, validadas e vinculadas automaticamente à fonte emissora correspondente, o que elimina a recoleta por e-mail no fim do ciclo do inventário.

Quem é responsável pelas evidências dentro da empresa?

A responsabilidade pelas evidências fica com a área dona de cada fonte emissora (compras, facilities, logística), conforme o plano de monitoramento. A área de sustentabilidade consolida, revisa e responde ao organismo de verificação sobre o dossiê completo.

Quantas empresas publicam inventário de GEE no Brasil?

No ciclo mais recente do Programa Brasileiro GHG Protocol, 757 organizações enviaram inventários de emissões de 2025, segundo o Diário do Comércio. O Registro Público de Emissões reúne mais de 7.000 inventários disponíveis, segundo o FGVces.

Conclusão

O inventário de emissões de GEE só vale o que suas evidências comprovam: 60% dos inventários publicados no ciclo 2024 do Registro Público de Emissões chegaram ao selo ouro porque passaram pela verificação de terceira parte, e a Lei 15.042/2024 transforma essa disciplina em obrigação para grandes emissores. Organizar o dossiê ao longo do ano, com vínculo entre dado e documento, é o que separa um inventário verificável de uma planilha. Para validar notas, contas de energia e documentos de terceiros na entrada, solicite uma demonstração da Dynadok.

Como citar este artigo

ABNT: DYNADOK. Inventário de emissões (GEE): como organizar as evidências documentais. Blog Dynadok, 16 out. 2026. Disponível em: https://blog.dynadok.com/meio-ambiente/inventario-gee-evidencias/. Acesso em: 16 out. 2026.

APA: Dynadok. (2026, 16 de outubro). Inventário de emissões (GEE): como organizar as evidências documentais. Blog Dynadok. https://blog.dynadok.com/meio-ambiente/inventario-gee-evidencias/

Referências

BEZERRA, Luiz Gustavo; GOMES, Gedham; RODRIGUES, Victor. In preparation for COP 30, federal government advances the implementation of the Brazilian emissions trading system. Mayer Brown, 30 out. 2025. Disponível em: https://www.mayerbrown.com/pt/insights/publications/2025/10/in-preparation-for-cop-30-federal-government-advances-the-implementation-of-the-brazilian-emissions-trading-system. Acesso em: 16 out. 2026.

BRASIL. Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024. Institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Brasília: Presidência da República, 2024. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l15042.htm. Acesso em: 16 out. 2026.

BRASIL. Ministério da Fazenda. Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. Brasília: MF, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/fazenda/pt-br/composicao/orgaos/mercado-de-carbono/sobre/sistema-brasileiro-de-comercio-de-emissoes. Acesso em: 16 out. 2026.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Resolução CVM nº 193, de 20 de outubro de 2023. Rio de Janeiro: CVM, 2023. Disponível em: https://data.sbfnetwork.org/sites/default/files/survey-attachments/2025-05/resol193_0.pdf. Acesso em: 16 out. 2026.

DIÁRIO DO COMÉRCIO. Número de empresas que publicam dados sobre emissões de carbono bate recorde no Brasil. Diário do Comércio, 2026. Disponível em: https://diariodocomercio.com.br/?p=622186. Acesso em: 16 out. 2026.

DYNADOK. Validação documental com IA. Dynadok, 2026. Disponível em: https://dynadok.com. Acesso em: 16 out. 2026.

FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces). GHG Info 2026: Programa Brasileiro GHG Protocol. São Paulo: FGV EAESP, 2026. Disponível em: https://eaesp.fgv.br/sites/default/files/uploads/FGVces/PROJETOS/Programa%20Brasileiro%20GHG%20Protocol/ghg_info_2026.pdf. Acesso em: 16 out. 2026.

FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces). Relatório anual do Programa Brasileiro GHG Protocol: ciclo 2024. São Paulo: FGV EAESP, 2024. Disponível em: https://eaesp.fgv.br/sites/eaesp.fgv.br/files/u1329/relatorio_anual_pbghg_ciclo2024_v1.pdf. Acesso em: 16 out. 2026.

GHG PROTOCOL. Corporate Standard. WRI e WBCSD, 2015. Disponível em: https://ghgprotocol.org/corporate-standard. Acesso em: 16 out. 2026.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 14064-1:2018: Greenhouse gases, Part 1. Genebra: ISO, 2018. Disponível em: https://www.iso.org/standard/66453.html. Acesso em: 16 out. 2026.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 14064-3:2019: Greenhouse gases, Part 3. Genebra: ISO, 2019. Disponível em: https://www.iso.org/standard/66455.html. Acesso em: 16 out. 2026.

TELLA, Rodolfo Constantino de. CVM torna facultativa a divulgação de reportes financeiros relacionados à sustentabilidade (IFRS S1 e S2) para as companhias abertas. Mayer Brown, jun. 2026. Disponível em: https://www.mayerbrown.com/de/insights/publications/2026/06/copy-of-cvm-torna-facultativa-a-divulgacao-de-reportes-financeiros-relacionados-a-sustentabilidade-ifrs-s1-e-s2-para-as-companhias-abertas. Acesso em: 16 out. 2026.

WORLD RESOURCES INSTITUTE; WORLD BUSINESS COUNCIL FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT. The Greenhouse Gas Protocol: a corporate accounting and reporting standard. Edição revisada. WRI e WBCSD. Disponível em: https://ghgprotocol.org/sites/default/files/standards/ghg-protocol-revised.pdf. Acesso em: 16 out. 2026.

Calculadora de ROI da Validação Documental com IA | Dynadok
Calculadora Dynadok

Calculadora de ROI da Validação Documental com IA

Use a calculadora de ROI da Dynadok: ajuste 3 dados da sua operação e veja, na hora, quanto a conferência manual custa hoje — e quanto volta ao seu caixa com a validação documental com IA.

Dados da operação

Esses 3 dados descrevem como funciona a sua conferência de documentos hoje — é com eles que calculamos o custo atual da operação e a economia ao automatizar com IA. Não precisa ser exato: uma boa estimativa já gera um resultado confiável.

20.000
5 mil100 mil

Considere o volume mensal de páginas que sua equipe precisa receber, organizar, conferir, validar e atualizar nos sistemas. Não sabe o total? Estime: documentos recebidos no mês × média de páginas por documento.

Processa 100 mil páginas ou mais por mês? Converse com um especialista para um plano sob medida.

5 min
1 min10 min

Inclua o ciclo completo: abrir o documento, extrair dados, conferir regras, registrar o resultado e devolver pendências. Estudos de mercado apontam de 3 a 10 minutos por página — se nunca mediu, mantenha os 5 min, uma média conservadora.

R$ 3.500
R$ 1.500R$ 15.000

Digite apenas o salário mensal de quem confere esses documentos hoje (ex.: analista, assistente administrativo), sem encargos. A calculadora acrescenta sozinha os encargos e benefícios, multiplicando por 1,7 — aproximadamente o custo real de um funcionário para a empresa.

O resultado é gerado depois do cálculo e atualizado sempre que você mudar os dados.

Você mudou os dados. Clique em Recalcular para atualizar o resultado.

O resultado da sua calculadora de ROI aparece aqui

Ajuste os dados da operação e clique em “Calcular minha economia” para ver uma prévia feita com os números do seu cenário.

1. Informe os dados 2. Calcule a prévia 3. Libere o resultado
Prévia da sua operação

Identificamos

alto potencial de economia

77%

mais barato por mês que a operação manual

Estimativa de R$ 526.400 de volta ao seu caixa por ano

Resultado completoEconomia mensal detalhada
Resultado completoComparativo de custos
Resultado completoImpacto operacional

Libere o resultado completo

Preencha seus dados para ver a economia mensal em reais, o comparativo de custos e as horas liberadas na sua equipe.

Seus dados ficam seguros. Um especialista da Dynadok pode entrar em contato para ajudar na sua análise.

Sua economia

Economia anual estimada

R$ 526.400

Equivale a R$ 43.867 por mês

Estimativa conservadora

ROI estimado (mensal)

343%

A cada R$ 1 investido no plano, cerca de R$ 4,43 deixam de ser gastos na operação manual.

Redução do custo operacional

77%

Você deixa de gastar cerca de 8 de cada 10 reais que o trabalho mecânico de conferência consome hoje.

Sua operação manual ESTIMADA hoje

Profissionais
10
profissionais dedicados ao trabalho mecânico de conferência (~80% do esforço)
Custo manual
R$ 56.667
custo mensal com esses profissionais (salário + provisão)
Horas gastas
1.333 h
horas gastas por mês em conferência manual mecânica

Com um tempo médio de 5 minutos por página, um profissional valida cerca de 12 páginas por hora. Em uma jornada de 7 horas, são 84 páginas por dia — e, em 20 dias úteis, cerca de 1.680 páginas por mês. Como sua operação processa 20.000 páginas por mês, o volume equivale ao trabalho de aproximadamente 12 profissionais. Nesta avaliação, consideramos que cerca de 80% desse esforço é trabalho operacional mecânico — o equivalente a 10 profissionais e 1.333 horas por mês. São esses números que usamos em todo o resultado.

Com a Dynadok, todo o trabalho operacional — mecânico, repetitivo e manual — passa a ser feito pela IA. Isso libera cerca de 80% do time para outras frentes; os demais deixam a conferência página a página e passam a atuar apenas na validação final e no tratamento de exceções.

Comparativo de custos

Operação manual hoje
Custo mensal do trabalho mecânico
R$ 56.667
Operação com a Dynadok
Plano por páginas processadas
R$ 12.800
Economia mensal
Valor que permanece no caixa
R$ 43.867

O que você libera com a Dynadok

Horas liberadas
1.333 h
horas de trabalho manual liberadas por mês (cerca de 80% do esforço atual)
Time liberado
10
profissionais liberados para outras frentes — os demais atuam só na validação final e em exceções

Ganhos além da economia

A redução de custo é só uma parte. Validar documentos com a IA da Dynadok também transforma a operação:

Validações até 10x mais rápidas

O que hoje leva horas passa a ser feito em minutos ou segundos, acelerando a resposta ao seu cliente.

Mais precisão, menos falhas humanas

Regras claras e validações automatizadas reduzem erros em tarefas repetitivas e não conformidades.

Processamento em escala

Valide grandes volumes, em qualquer formato ou layout, sem aumentar o time na mesma proporção.

Time focado no estratégico

Sua equipe sai das tarefas manuais e passa a cuidar de análises e decisões que fazem o negócio crescer.

Estimativa ilustrativa da calculadora de ROI. Jornada de 7 h/dia em 20 dias úteis (140 h/mês) por profissional e fator de provisão de 1,7 sobre o salário base. A economia compara o custo da mão de obra dedicada ao trabalho mecânico de conferência (cerca de 80% do esforço total; os demais profissionais seguem na validação final e em exceções) com o custo do plano Dynadok para o mesmo volume de páginas.

Estimativa conservadora da calculadora de ROI da validação documental com IA, baseada nas premissas de operação: ciclo completo de validação documental por página, jornada de 7 h/dia em 20 dias úteis (140 h/mês) por profissional e fator de provisão de 1,7 sobre o salário base (encargos e benefícios). A economia compara o custo da mão de obra dedicada ao trabalho mecânico de conferência — cerca de 80% do esforço total, já que os demais profissionais seguem atuando na validação final e no tratamento de exceções — com o custo do plano Dynadok para o mesmo volume de páginas. Os valores variam conforme volume e complexidade — solicite uma análise personalizada para números exatos da sua operação.
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