A validação de certidão de óbito é a conferência de que o documento foi emitido por um cartório real, segue o modelo nacional com matrícula de 32 dígitos e traz dados coerentes com a Declaração de Óbito, o CPF e o processo em análise. Com IA, a leitura dos campos, o cálculo da matrícula e o cruzamento com pensão, apólice ou inventário acontecem em segundos, e o analista decide só as exceções.
Pontos-chave
- O Brasil registrou 1.495.386 óbitos ocorridos em 2024, alta de 4,6% sobre 2023, segundo as Estatísticas do Registro Civil 2024 do IBGE.
- A certidão de óbito segue modelo nacional desde o Provimento CNJ 63/2017, reforçado pelo Provimento CNJ 182/2024, com matrícula de 32 dígitos em que o 15º dígito igual a 4 indica o Livro C, de óbito.
- A Lei 6.015/1973, no art. 80, lista 12 itens obrigatórios do assento de óbito, entre eles causa da morte, nome dos atestantes, bens, herdeiros menores e pelo menos um número de documento.
- A pensão por morte do INSS retroage à data do óbito quando pedida em até 90 dias, ou em até 180 dias para filhos menores de 16 anos (Lei 8.213/1991, art. 74).
- O TCU apontou R$ 4,4 bilhões pagos a pessoas falecidas entre 2016 e fevereiro de 2025, com 35% dos registros de óbito com falhas de identificação (Acórdão 1606/2025).
- A Lei 15.040/2024, em vigor desde 11 de dezembro de 2025, dá à seguradora 30 dias para se manifestar sobre a cobertura após o aviso de sinistro.
O que é a certidão de óbito e o que ela precisa conter?
A certidão de óbito é o documento emitido pelo Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais que prova, perante terceiros, a morte de uma pessoa, com data, lugar, causa e dados de família. A certidão de óbito é extraída do assento lavrado no Livro C do cartório e é a peça que abre pensões, sinistros de seguro, resgates de previdência privada, inventários e a baixa de contratos do falecido.
A Lei 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos), no art. 77, determina que “nenhum sepultamento será feito sem certidão do oficial de registro do lugar do falecimento” ou do lugar de residência. O assento de óbito é lavrado “em vista do atestado de médico, se houver no lugar”, ou, na falta de médico, de duas pessoas qualificadas que presenciaram ou verificaram a morte.
Quais campos a certidão de óbito traz?
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Data, hora e lugar do falecimento (itens 1º e 2º) definem o início dos prazos de pensão, seguro e inventário. Nome, CPF e documentos do falecido (item 12º e art. 6º do Provimento CNJ 63/2017) ligam o óbito à pessoa certa. Cônjuge sobrevivente, filhos, bens e testamento (itens 4º, 6º, 7º e 10º) apontam dependentes e herdeiros.
A causa da morte, “natural ou violenta”, com “o nome dos atestantes” (item 8º), pesa em seguro de morte acidental. O declarante precisa estar no rol do art. 79, e a matrícula de 32 dígitos, pelo Provimento CNJ 182/2024, identifica cartório, livro, folha e termo.
O que é a Declaração de Óbito (DO) e qual a diferença para a certidão?
A Declaração de Óbito (DO) é o formulário médico padronizado pelo Ministério da Saúde que atesta a morte e alimenta o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Segundo o Manual de instruções para preenchimento da Declaração de Óbito, de 2022, a DO é o “documento-padrão do SIM e de uso obrigatório em todo o território nacional”, com 9 blocos e 59 variáveis, impressa com numeração única controlada pelo Ministério da Saúde.
A diferença é de função. A DO é um ato médico, em três vias, e uma das vias vai com a família ao cartório; a certidão de óbito é o ato registral que o cartório emite com base na DO. Segundo o CRM-PR, a DO é o documento hábil para o cartório lavrar a certidão, indispensável para sepultamento e processos sucessórios. Na análise documental, o número da DO e a causa da morte da certidão devem conversar entre si.
Por que validar a certidão de óbito importa para pensões, seguros e inventários?
A certidão de óbito é o gatilho de pagamentos grandes e, por isso, é alvo de fraude e de erro cadastral. O Tribunal de Contas da União (TCU), no Acórdão 1606/2025, de relatoria do ministro Jorge Oliveira, apontou R$ 4,4 bilhões em pagamentos indevidos a pessoas já falecidas entre 2016 e fevereiro de 2025, com 275,8 mil falecidos recebendo benefícios.
O mesmo relatório do TCU mostra que o problema começa no dado de origem. A auditoria encontrou 13,1 milhões de óbitos sem registro no sistema e 35% dos registros com defeitos de identificação, como CPF, nome ou data de nascimento ausentes ou inválidos. Para o TCU, “faltam ações corretivas, sanções e medidas preventivas. Há vácuos regulatórios”.
O volume também pesa. O IBGE contou 1.495.386 óbitos ocorridos em 2024 e registrados, alta de 4,6% sobre 2023, e 20.995 registros (1,4%) de falecimentos em anos anteriores ou com ano ignorado. Segundo Cintia Simões Agostinho, demógrafa e analista da pesquisa do IBGE, ouvida pela Agência Brasil, “o aumento no número de mortes é um comportamento esperado”.
| Indicador | Número | Período | Fonte |
|---|---|---|---|
| Óbitos ocorridos e registrados no Brasil | 1.495.386 | 2024 | IBGE, Estatísticas do Registro Civil 2024 |
| Variação de óbitos sobre o ano anterior | 4,6% | 2024 | IBGE, Estatísticas do Registro Civil 2024 |
| Pagamentos do INSS a pessoas falecidas | R$ 4,4 bilhões | 2016 a fev. 2025 | TCU, Acórdão 1606/2025 |
| Pagamentos indevidos que seguiam por mês | R$ 28,5 milhões | 2025 | TCU, Acórdão 1606/2025 |
| Registros de óbito com falha de identificação | 35% | 2025 | TCU, Acórdão 1606/2025 |
| Bens bloqueados na Operação Abutre (seguro de vida) | R$ 110 milhões | nov. 2024 | Polícia Federal, via CNN Brasil |
Fonte: IBGE (2024), TCU (2025) e CNN Brasil (2024).
A fraude com óbito também corre no sentido contrário, com a morte inventada. Em abril de 2026, a Polícia Civil do Amazonas prendeu um homem de 47 anos que simulou a própria morte com uma certidão de óbito falsa para tentar receber R$ 500 mil de seguro de vida contratado um mês antes, segundo o Amazonas Atual. O suspeito tinha ao menos seis CPFs e carimbos médicos falsos.
O que a lei exige no registro de óbito e no uso da certidão?
O registro de óbito tem prazo, responsáveis e conteúdo definidos em lei, e cada uso posterior (pensão, seguro, inventário) tem prazo próprio contado da data do óbito. O art. 78 da Lei 6.015/1973 fixa o registro em 24 horas do falecimento e, na impossibilidade por distância ou motivo relevante, “com a maior urgência, e dentro dos prazos fixados no artigo 50”.
O declarante é definido no art. 79 da mesma lei: chefe de família, viúva ou viúvo, filho, irmão ou parente mais próximo, o administrador do hospital ou estabelecimento onde a pessoa morreu, quem assistiu aos últimos momentos e, para pessoas encontradas mortas, “a autoridade policial”. O parágrafo único admite preposto autorizado por escrito.
Depois do registro, o cartório comunica o óbito ao INSS. O art. 68 da Lei 8.212/1991 obriga o titular do cartório a remeter o registro “em até 1 (um) dia útil” pelo Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc), com prazo de 5 dias para municípios sem internet.
| Uso da certidão de óbito | Prazo ou regra | Responsável | Base legal |
|---|---|---|---|
| Registro do óbito no cartório | 24 horas, ou prazos do art. 50 com justificativa | Declarante do art. 79 | Lei 6.015/1973, arts. 78 e 79 |
| Comunicação ao INSS | Até 1 dia útil pelo Sirc | Titular do cartório | Lei 8.212/1991, art. 68 |
| Pensão por morte desde o óbito | Até 90 dias, ou 180 dias para filhos menores de 16 anos | Dependentes | Lei 8.213/1991, art. 74 |
| Pensão de 4 meses ao cônjuge | Menos de 18 contribuições ou união com menos de 2 anos | INSS | Lei 8.213/1991, art. 77, §2º, V |
| Resposta da seguradora sobre cobertura | 30 dias do aviso, até 120 dias em casos complexos | Seguradora | Lei 15.040/2024, art. 86 |
| Abertura do inventário | 2 meses da abertura da sucessão, fim em 12 meses | Herdeiros | CPC, art. 611 |
| Escritura de inventário em cartório | Certidão de óbito do autor da herança | Tabelião | Resolução CNJ 35/2007, art. 22 |
Fonte: elaboração própria com base na Lei 6.015/1973, Lei 8.212/1991, Lei 8.213/1991, Lei 15.040/2024, CPC e Resolução CNJ 35/2007.
No seguro de vida, a Lei 15.040/2024 mudou o jogo em 11 de dezembro de 2025. Segundo Maria Luiza Geara Poletto, advogada do Poletto & Possamai, em artigo no Conjur, o pedido de documentos complementares suspende o prazo da seguradora no máximo duas vezes. Uma certidão de óbito com falha descoberta tarde consome uma dessas suspensões.
Como a certidão de óbito é conferida hoje e onde o processo falha?
A conferência manual de certidão de óbito é feita por analistas de benefícios, sinistros, crédito ou jurídico, que abrem o PDF ou a foto, comparam nome e CPF com o cadastro e anexam o documento ao processo. O processo funciona em volume baixo, mas quebra quando chegam centenas de sinistros ou pedidos de pensão, cada um com certidão, DO, documentos do beneficiário e comprovantes de vínculo.
Os gargalos mais comuns na validação manual de certidão de óbito são:
- A matrícula de 32 dígitos raramente é decomposta, e o analista não confere se o 15º dígito indica óbito (tipo 4) nem se o dígito verificador fecha.
- O CPF da certidão de óbito é comparado de olho com o do contrato, e um dígito trocado passa quando a fila está longa.
- A data do óbito não é cruzada com a data de contratação da apólice, com a data da união estável ou com a data do último pagamento do benefício.
- A causa da morte e o campo “natural ou violenta” não são comparados com a cobertura contratada, como morte acidental.
- O declarante e os atestantes não são checados contra o rol do art. 79 da Lei 6.015/1973, e um declarante sem vínculo passa sem alerta.
- A certidão eletrônica não é validada no portal do registro civil, e um PDF editado fica igual a um original na tela.
O caso da Operação Abutre mostra o custo desse ponto cego. Segundo a CNN Brasil, a Polícia Federal apurou que o grupo registrava vítimas reais de acidentes como funcionárias de empresas de fachada para receber seguros coletivos de vida. A certidão de óbito era verdadeira; a fraude estava no vínculo, e só o cruzamento de datas entre óbito, admissão e contratação revelaria o padrão.
Como validar uma certidão de óbito com IA, passo a passo?
A validação de certidão de óbito com IA segue a mesma lógica da conferência humana, mas com todos os cruzamentos feitos em cada documento, sem amostragem. O fluxo abaixo serve para pensão, sinistro de seguro de vida, resgate de previdência privada, inventário e baixa de contratos.
- Receba o documento em qualquer formato. A IA aceita foto, scan ou PDF da certidão de óbito e identifica que se trata de certidão de óbito, e não de nascimento ou casamento. Documentos ilegíveis voltam para o solicitante antes de ocupar o analista.
- Extraia os campos do art. 80. Leia nome, CPF, data e hora, lugar, estado civil, cônjuge, filhos, bens, testamento, causa da morte, atestantes, declarante e sepultamento. Cada campo vira um dado estruturado ligado ao processo.
- Decomponha e confira a matrícula. Separe os 32 dígitos em código da serventia, acervo, código 55, ano, tipo de livro, livro, folha, termo e dígito verificador. Confira se o tipo de livro é 4 (Livro C, óbito) ou 5 (natimorto) e se o ano da matrícula bate com a data do registro.
- Valide a autenticidade da certidão eletrônica. Consulte o código de verificação ou o hash no validador do registro civil e o selo no portal do Tribunal de Justiça do estado. Segundo o Operador Nacional do Registro Civil (ON-RCPN), o validador mostra cartório, oficial, endereço e data de assinatura.
- Cruze a certidão com o processo. Compare CPF e nome com o benefício, a apólice ou o contrato; compare a data do óbito com a data de contratação, de início da união e do último pagamento. Um óbito um mês depois da contratação da apólice, como no caso do Amazonas, gera alerta automático.
- Confira coerência entre causa, declarante e cobertura. Verifique se a causa da morte é compatível com a cobertura pedida e se o declarante pertence ao rol do art. 79 da Lei 6.015/1973. Morte violenta sem atestante identificado segue para revisão humana.
- Calcule prazos e dependências. Com a data do óbito, o sistema calcula os 90 ou 180 dias da pensão, os 2 meses do inventário e os 30 dias da seguradora. O analista vê o prazo restante e os documentos que ainda faltam, como certidão de casamento do cônjuge ou certidão de nascimento dos filhos.
- Envie ao analista só as exceções. Documentos coerentes seguem com trilha de auditoria; divergências chegam com o campo marcado e o motivo. O analista decide com o documento e o dado lado a lado.
A certidão de óbito raramente chega sozinha. No inventário, a Resolução CNJ 35/2007 pede certidões de parentesco dos herdeiros e certidão de casamento do cônjuge sobrevivente; por isso o mesmo fluxo aplica a validação de certidão de casamento com IA e a validação de certidão de nascimento com IA aos herdeiros e dependentes.
Como escolher a forma de validar certidões de óbito na empresa?
A escolha da forma de validar certidão de óbito depende do volume de processos, do valor em jogo e do nível de rastreabilidade que auditoria e reguladores exigem. Seguradoras, entidades de previdência, bancos e escritórios de inventário comparam quatro abordagens.
| Critério | Conferência manual | Planilha e checklist | Consulta avulsa ao validador do cartório | Validação com IA |
|---|---|---|---|---|
| Leitura dos campos | Humana, campo a campo | Humana, com digitação | Não lê campos | Automática, com dado estruturado |
| Matrícula e dígito verificador | Raramente conferidos | Conferidos se houver fórmula | Não confere a matrícula | Decomposição e cálculo em cada documento |
| Autenticidade | Visual | Visual | Confirma a certidão eletrônica | Consulta integrada e sinais de adulteração |
| Cruzamento com apólice, benefício ou contrato | Depende do analista | Parcial | Não faz | Datas, CPF e vínculos cruzados |
| Trilha de auditoria | Anotações soltas | Histórico da planilha | Print da consulta | Registro por campo e por decisão |
Fonte: elaboração própria com base no guia de validação do ON-RCPN, na Lei 6.015/1973 e no Acórdão 1606/2025 do TCU.
A consulta ao validador do cartório é necessária, mas não basta: ela prova que a certidão existe, e não que o óbito tem relação com a apólice, o benefício ou o contrato em análise. A IA junta as duas coisas. Segundo o estudo de assertividade da Dynadok, a IA acertou 95,2% de 500 documentos auditados, contra 9,6% de erro do auditor humano na leitura cega.
Quais erros mais comuns na validação de certidão de óbito e o que eles causam?
Os erros na validação de certidão de óbito custam dinheiro nos dois sentidos: pagar a quem não tem direito e atrasar quem tem. Os mais frequentes são:
- Aceitar a certidão sem conferir a matrícula, o que deixa passar documento montado a partir de modelo antigo ou com tipo de livro errado, e abre caminho para sinistro pago com certidão falsa.
- Ignorar a data do óbito frente à data da apólice, o que esconde casos de contratação logo antes da morte, padrão visto na fraude de R$ 500 mil investigada no Amazonas.
- Não cruzar o CPF do falecido com o cadastro, o que mantém benefícios ativos e repete o problema que o TCU mediu em R$ 28,5 milhões por mês.
- Ler só o estado civil e não o cônjuge sobrevivente, o que leva a pagar pensão ou seguro a pessoa divorciada e sujeita a empresa a ação de quem tinha direito.
- Perder a data do pedido da pensão, o que faz o benefício contar do requerimento, e não do óbito, quando o pedido passa de 90 dias (Lei 8.213/1991, art. 74).
- Pedir documentos em várias rodadas no sinistro, o que esgota as duas suspensões de prazo permitidas pela Lei 15.040/2024 e expõe a seguradora a atraso.
Como a Dynadok valida certidões de óbito com IA?
A Dynadok é uma plataforma de validação e análise documental automatizada por IA que identifica e valida documentos em vários formatos e layouts, de imagens a PDFs, com extração de dados precisa. A plataforma já valida certidões de nascimento e de casamento, documentos de identidade, comprovantes e documentos de seguros, e aplica a mesma lógica à certidão de óbito: leitura dos campos, matrícula e cruzamento com o processo.
Segundo a Dynadok, a automação reduz em até 95% o tempo gasto com validação de documentos. No case Vitru, 9 em cada 10 inscrições foram validadas pela IA, segundo a empresa. Para Cássio Lapertosa, diretor de TI da Emccamp, a tecnologia “interpreta documentos cruzando informações, se assemelhando à análise humana”.
Em pensões, a certidão de óbito costuma vir junto com o histórico contributivo do segurado, e a validação de extrato do CNIS com IA confere as 18 contribuições e os vínculos que definem a duração do benefício do cônjuge.
Perguntas frequentes sobre validação de certidão de óbito
Certidão de óbito tem prazo de validade?
Não. A Lei 6.015/1973 não fixa validade para a certidão de óbito. Seguradoras, bancos e cartórios de notas podem pedir via recente para garantir que não há averbação posterior, como retificação de causa da morte ou inclusão de CPF, por isso vale conferir a data de emissão.
Qual a diferença entre atestado de óbito, Declaração de Óbito e certidão de óbito?
A Declaração de Óbito (DO) é o formulário do Ministério da Saúde preenchido pelo médico, chamado também de atestado. A certidão de óbito é o documento do cartório, lavrado com base na DO. Para pensão, seguro e inventário, o documento exigido é a certidão de óbito.
Quem pode declarar o óbito no cartório?
O art. 79 da Lei 6.015/1973 lista os declarantes: chefe de família, cônjuge, filhos, irmãos ou parente mais próximo, o administrador do hospital, quem assistiu aos últimos momentos e a autoridade policial para pessoas encontradas mortas. Preposto com autorização escrita também pode declarar.
Qual o prazo para registrar o óbito?
O prazo para registrar o óbito é de 24 horas do falecimento, pelo art. 78 da Lei 6.015/1973. Quando a distância ou outro motivo relevante impede, o registro é feito com a maior urgência, dentro dos prazos do art. 50 da mesma lei.
Como saber se uma certidão de óbito eletrônica é verdadeira?
A certidão de óbito eletrônica é conferida pelo código de verificação, ou pelo hash no modelo antigo, no validador do registro civil. Segundo o ON-RCPN, o sistema mostra cartório emissor, oficial, endereço e data de assinatura, e permite validar o selo no Tribunal de Justiça do estado.
O que significa o número da matrícula na certidão de óbito?
A matrícula da certidão de óbito tem 32 dígitos: código do cartório, acervo, código 55 do registro civil, ano, tipo de livro, livro, folha, termo e dígito verificador. Na certidão de óbito, o tipo de livro é 4 (Livro C); para natimorto, é 5.
A certidão de óbito precisa ter o CPF do falecido?
Sim. O art. 6º do Provimento CNJ 63/2017 determina que “o CPF será obrigatoriamente incluído nas certidões de nascimento, casamento e óbito”. O CPF é o dado que liga a certidão de óbito ao benefício, à apólice e aos contratos do falecido.
A causa da morte aparece na certidão de óbito?
Sim. O item 8º do art. 80 da Lei 6.015/1973 exige informar se a morte foi natural ou violenta, a causa conhecida e o nome dos atestantes. Na validação, a causa da morte é comparada com a cobertura do seguro, como morte acidental.
Qual o prazo para pedir pensão por morte ao INSS?
A pensão por morte é paga desde a data do óbito quando pedida em até 90 dias, ou em até 180 dias para filhos menores de 16 anos, pelo art. 74 da Lei 8.213/1991. Depois desses prazos, o benefício conta a partir do requerimento.
Por quanto tempo o cônjuge recebe pensão por morte?
O cônjuge recebe pensão por morte por 4 meses quando o segurado tinha menos de 18 contribuições ou a união começou menos de 2 anos antes do óbito. Fora desses casos, a duração varia pela idade do beneficiário, de 3 anos até vitalícia (Lei 8.213/1991, art. 77).
Quanto tempo a seguradora tem para responder sobre o seguro de vida?
Pela Lei 15.040/2024, em vigor desde 11 de dezembro de 2025, a seguradora tem 30 dias do aviso de sinistro para se manifestar sobre a cobertura, e até 120 dias em casos complexos. Pedidos de documentos complementares suspendem o prazo no máximo duas vezes.
Previdência privada entra no inventário?
Em regra, não. PGBL e VGBL são pagos diretamente aos beneficiários indicados, segundo Morvan Meirelles Costa Junior, sócio fundador do Meirelles Costa Advogados, ouvido pelo InvestNews. A instituição pede certidão de óbito, documento de identidade e CPF do beneficiário e comprovante de residência.
Quais documentos o inventário em cartório exige além da certidão de óbito?
A Resolução CNJ 35/2007, art. 22, exige certidão de óbito do autor da herança, identidade e CPF das partes, certidão de parentesco dos herdeiros, certidão de casamento do cônjuge sobrevivente, documentos dos bens, certidão negativa de tributos e CCIR quando houver imóvel rural.
Qual o prazo para abrir o inventário?
O inventário deve ser aberto em 2 meses a contar da abertura da sucessão, que coincide com a data do óbito, e concluído nos 12 meses seguintes, pelo art. 611 do CPC. O juiz pode prorrogar esses prazos de ofício ou a pedido da parte.
O cartório avisa o INSS sobre o óbito?
Sim. O art. 68 da Lei 8.212/1991 obriga o cartório a enviar o registro de óbito ao INSS em até 1 dia útil pelo Sirc. O TCU, porém, identificou atrasos e 35% dos registros com falhas de identificação, por isso a empresa pagadora deve conferir a certidão.
Como a fraude com certidão de óbito falsa costuma acontecer?
A fraude com óbito aparece de duas formas: certidão falsa para simular uma morte, como no caso de R$ 500 mil investigado no Amazonas em 2026, ou óbito real com vínculo inventado, como na Operação Abutre da Polícia Federal, que bloqueou R$ 110 milhões em bens.
A IA consegue detectar certidão de óbito falsificada?
A IA detecta sinais de falsificação na certidão de óbito: matrícula com dígito verificador errado, tipo de livro diferente de 4, ano incoerente com a data do registro, CPF divergente e campos fora do modelo nacional. A confirmação final da certidão eletrônica é feita no validador oficial do registro civil.
A IA substitui o analista na validação de certidão de óbito?
Não. A IA lê, confere e cruza todos os campos da certidão de óbito e envia ao analista só os casos com divergência. A decisão sobre pagar pensão, sinistro ou resgate continua humana, com o dado e o documento lado a lado.
A certidão de óbito serve para cancelar contratos do falecido?
Sim. A certidão de óbito é o documento usado para baixa de planos de saúde, linhas telefônicas, contas e financiamentos do falecido. A validação confere o CPF e a data do óbito, que define a partir de quando cessam as cobranças do contrato.
Certidão de óbito em modelo antigo ainda é aceita?
Sim. Certidões de óbito emitidas antes dos modelos nacionais continuam válidas, mas não têm matrícula de 32 dígitos. Nesses casos, a validação confere cartório, livro, folha e termo, e pode pedir segunda via no modelo atual, que exige averbação do CPF quando possível.
Conclusão
A certidão de óbito abre pagamentos de pensão, seguro de vida, previdência privada e herança, e o TCU mostrou o custo de confiar em dado de óbito sem conferência: R$ 4,4 bilhões pagos a pessoas falecidas. Validar matrícula, CPF, causa da morte, declarante e datas em cada documento protege quem paga e acelera quem tem direito. Para automatizar a validação de certidões de óbito e dos documentos que chegam com elas, fale com a Dynadok e peça uma demonstração.
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Como citar este artigo
ABNT: DYNADOK. Validação de certidão de óbito com IA: como conferir o documento em pensões, seguros e inventários. Blog Dynadok, 23 set. 2026. Disponível em: https://blog.dynadok.com/validacao-de-certidao-de-obito-com-ia/. Acesso em: 23 set. 2026.
APA: Dynadok. (2026, 23 de setembro). Validação de certidão de óbito com IA: como conferir o documento em pensões, seguros e inventários. Blog Dynadok. https://blog.dynadok.com/validacao-de-certidao-de-obito-com-ia/
Referências
AGÊNCIA BRASIL. MOURA, Bruno de Freitas. Mortes no país crescem 4,6% em 2024, maior alta fora anos de pandemia. Agência Brasil, 10 dez. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-12/mortes-no-pais-crescem-46-em-2024-maior-alta-fora-anos-de-pandemia. Acesso em: 23 set. 2026.
AMAZONAS ATUAL. Homem é preso por simular a própria morte para tentar obter R$ 500 mil. Amazonas Atual, 15 abr. 2026. Disponível em: https://amazonasatual.com.br/homem-e-preso-por-simular-a-propria-morte-para-tentar-obter-r-500-mil/. Acesso em: 23 set. 2026.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Provimento nº 63, de 14 de novembro de 2017, art. 6º. Disponível em: https://www.legjur.com/legislacao/art/prov_cnj1810202000000632017-6. Acesso em: 23 set. 2026.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 35, de 24 de abril de 2007. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=107092. Acesso em: 23 set. 2026.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Corregedoria Nacional de Justiça. Cartilha dos novos modelos de certidão. Disponível em: https://www.tjba.jus.br/corregedoria/wp-content/uploads/pdf/cartilha01.pdf. Acesso em: 23 set. 2026.
BRASIL. Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, art. 77. Disponível em: https://www.legjur.com/legislacao/art/lei_00060151973-77. Acesso em: 23 set. 2026.
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